Taxonomia Sustentável Brasileira: o novo marco da agenda ESG no país
- Fernanda Rios

- 6 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Por Fernanda Rios, sócia-coordenadora da área de ESG

Introdução
O Brasil deu um passo decisivo rumo a uma economia verde, inclusiva e regenerativa. Com a criação da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), o país passa a contar com um sistema oficial que define, de forma científica, técnica e transparente, quais atividades econômicas podem ser consideradas sustentáveis. Inspirada na Taxonomia Verde da União Europeia e nas recomendações da ICMA (International Capital Market Association, 2021), a TSB traz segurança e credibilidade para o mercado financeiro e para as empresas comprometidas com a agenda ESG (Ambiental, Social e Governança).
ESG e Taxonomia
A Taxonomia Sustentável Brasileira é mais do que um documento técnico. Ela representa um divisor de águas para o ESG corporativo, pois define critérios objetivos e mensuráveis que permitem identificar atividades com real impacto positivo. Enquanto o ESG define como agir, a Taxonomia define o que é sustentável, criando uma base sólida para o desenvolvimento das finanças sustentáveis no Brasil.
Importância Estratégica
A TSB é um instrumento estratégico para o desenvolvimento nacional, com impactos diretos sobre o ambiente de negócios, o acesso a crédito, os investimentos internacionais e as políticas públicas. Entre seus benefícios estão a transparência e credibilidade, a redução de riscos e do greenwashing, o acesso a financiamentos verdes, a integração internacional e o fortalecimento da governança ESG.
Pilares Estratégicos
A TSB se baseia em três grandes objetivos estratégicos: (1) mobilizar e reorientar investimentos para atividades com impactos ambientais, climáticos e sociais positivos; (2) promover inovação e adensamento tecnológico sustentável, com foco em produtividade e competitividade; (3) assegurar transparência e integridade nas finanças sustentáveis, criando uma base confiável de indicadores ESG.
Objetivos da Taxonomia
Os objetivos da TSB estão organizados em onze grandes temas, divididos entre as dimensões ambientais, sociais e de governança. Entre os ambientais estão a mitigação e adaptação às mudanças climáticas, a proteção da biodiversidade e dos ecossistemas, o uso sustentável do solo e das florestas, a economia circular e o controle da poluição. Nos aspectos sociais e de governança, destacam-se o trabalho decente, a redução das desigualdades, a promoção da qualidade de vida e o fortalecimento das instituições.
Governança
A estrutura da TSB é coordenada pelo Comitê Interinstitucional da Taxonomia Sustentável Brasileira (CITSB), que reúne ministérios, órgãos públicos e representantes da sociedade civil. Inclui também Grupos Técnicos Setoriais e Temáticos (GTs) e um Comitê Consultivo (CC), com participação da academia, do setor produtivo e de instituições financeiras. Essa governança plural garante transparência, legitimidade científica e integração com os princípios do 'G' do ESG.
Impactos e Conclusão
Para as empresas brasileiras, especialmente aquelas ligadas ao Polo Industrial de Manaus e a cadeias produtivas complexas, a TSB será um diferencial competitivo e reputacional. Ela permitirá comprovar, por meio de evidências, o impacto positivo de suas operações e projetos, fortalecendo relatórios ESG e atraindo novos investidores. A Taxonomia Sustentável Brasileira é um instrumento essencial para transformar o potencial do país em liderança global em finanças sustentáveis, conectando ciência, capital e propósito. Com ela, o Brasil mostra que desenvolvimento e sustentabilidade podem caminhar juntos, com transparência, inclusão e governança responsável.

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