SUSTENTABILIDADE COMO PILAR ESTRATÉGICO DA GESTÃO DE RISCOS
- Fernanda Rios

- 10 de out. de 2025
- 4 min de leitura
Por Fernanda Rios, sócia-coordenadora da área de ESG

1. INTRODUÇÃO
A sustentabilidade deixou de ser uma prática de reputação para se tornar um imperativo estratégico de sobrevivência empresarial. O avanço das mudanças climáticas, as exigências regulatórias, a transição para economias de baixo carbono e o novo perfil de investidores e consumidores impõem às organizações um redesenho de suas estratégias de risco e desempenho.
Integrar a sustentabilidade à governança corporativa é, portanto, adotar uma visão de longo prazo, que assegura a perenidade do negócio e protege o valor da marca. No contexto do Polo Industrial de Manaus (PIM), essa integração ganha especial relevância, pois o setor produtivo está inserido em uma região sensível do ponto de vista ambiental e social, onde cada decisão empresarial reflete diretamente sobre o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e conservação da Amazônia.
Empresas com propósito claro, ético e sustentável não apenas reduzem riscos elas inspiram confiança, criam valor compartilhado e fortalecem sua legitimidade social.
2. ESG COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO DE RISCOS
A integração dos pilares ESG às práticas empresariais amplia a visão tradicional de risco, antes restrita a variáveis financeiras e operacionais, para uma abordagem holística e sistêmica. Os riscos ambientais, sociais e de governança são, hoje, reconhecidos como fatores críticos de continuidade organizacional.
Ao adotar critérios ESG, a empresa passa a atuar de forma preventiva e estratégica, identificando vulnerabilidades e antecipando impactos. O ESG, nesse contexto, não é apenas um conjunto de boas práticas, mas um sistema de gestão de riscos ampliado, que agrega resiliência e credibilidade à operação.
3. DIMENSÃO AMBIENTAL (E): RISCOS OPERACIONAIS E CLIMÁTICOS
A dimensão ambiental é uma das mais sensíveis na atualidade e está diretamente associada à continuidade operacional e à reputação das organizações. Empresas localizadas em ecossistemas complexos, como a Amazônia, devem compreender o impacto de suas atividades e adotar estratégias que conciliem eficiência produtiva e proteção ambiental.
Principais riscos e estratégias de mitigação:
- Escassez de recursos hídricos e energéticos: implantação de programas de eficiência e reúso de recursos naturais;
- Emissões de GEE: elaboração de inventários de emissões (GHG Protocol / ISO 14064-1) e metas de neutralização;
- Passivos ambientais: implementação de Sistemas de Gestão Ambiental (ISO 14001) e conformidade legal com órgãos ambientais (IPAAM, IBAMA, SUFRAMA);
- Vulnerabilidade climática: adoção de planos de adaptação e resiliência climática, integrados ao planejamento estratégico.
Empresas do PIM que assumem compromissos ambientais demonstram que a sustentabilidade é compatível com a produtividade e com a inovação, transformando desafios regionais em oportunidades de liderança ambiental.
4. DIMENSÃO SOCIAL (S): CAPITAL HUMANO E LICENÇA SOCIAL PARA OPERAR
O pilar social abrange a valorização das pessoas e o fortalecimento do relacionamento com stakeholders internos e externos. Riscos trabalhistas, desigualdade, acidentes ocupacionais e falta de diálogo com comunidades locais impactam diretamente a continuidade das operações e a reputação institucional.
Principais riscos e estratégias de mitigação:
- Saúde e segurança: implementação de Sistemas de Gestão de SST (ISO 45001:2018) e programas de bem-estar organizacional;
- Diversidade e inclusão: políticas ativas de equidade de gênero, raça e oportunidades;
- Relação com comunidades: programas de responsabilidade social corporativa e desenvolvimento local sustentável;
- Saúde mental e clima organizacional: adequação às exigências da Portaria MTE nº 1.419/2024, que reforça a gestão de riscos psicossociais.
A dimensão social reafirma que empresas de propósito fortalecem vínculos, humanizam suas operações e consolidam sua licença social para operar.
5. DIMENSÃO DE GOVERNANÇA (G): TRANSPARÊNCIA E INTEGRIDADE
A governança é o eixo que assegura coerência, integridade e perenidade às práticas ESG. Falhas éticas, corrupção, ausência de transparência e governança deficiente estão entre os principais riscos reputacionais e legais das organizações contemporâneas.
Principais riscos e estratégias de mitigação:
- Corrupção e fraude: criação e aplicação de códigos de ética, políticas anticorrupção e canais de denúncia;
- Falhas de compliance: estabelecimento de sistemas de controles internos e auditorias periódicas;
- Falta de transparência: divulgação de relatórios de sustentabilidade (GRI, ISSB, ABNT PR 2030) e prestação de contas a stakeholders;
- Governança ineficaz: fortalecimento de conselhos de administração e comitês de integridade.
A boa governança é o que converte compromissos em resultados e garante credibilidade e longevidade institucional.
6. SUSTENTABILIDADE E PROPÓSITO: O NOVO PARADIGMA EMPRESARIAL
Empresas de propósito compreendem que o lucro é consequência da coerência entre o que se faz e o impacto que se gera. O propósito organizacional é o que dá sentido à estratégia ESG, unindo valores éticos, objetivos empresariais e contribuição para o bem comum.
A sustentabilidade, quando fundamentada em propósito, não apenas protege contra riscos, mas direciona decisões, orienta condutas e inspira pessoas. Essa é a base das organizações que desejam permanecer relevantes em um mundo que exige coerência, ética e transparência.
No ambiente industrial brasileiro especialmente no Polo Industrial de Manaus ser uma empresa de propósito é alinhar o crescimento econômico com a conservação ambiental e o desenvolvimento social da região, fortalecendo a imagem do setor produtivo como agente de transformação positiva.
7. CONCLUSÃO
A sustentabilidade consolidou-se como um pilar essencial da gestão de riscos e da competitividade empresarial. Mais do que cumprir legislações, ela representa a capacidade das empresas de operar com propósito, ética e visão de longo prazo.
Empresas que compreendem essa nova lógica e integram o ESG à sua governança reduzem vulnerabilidades, ampliam oportunidades e fortalecem seu legado. No contexto amazônico, esse compromisso ganha ainda mais sentido: é a demonstração de que é possível gerar valor econômico e social, respeitando o território e contribuindo para o futuro do planeta.




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